quinta-feira, 16 de junho de 2011

Clarice Lispector entrevista Vinícius de Morais

Entrevista do Poeta essencialmente lírico Vinícius de Morais conduzida por Clarice Lispector, publicada na revista Manchete e republicada em seu livro: Entrevistas. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.


- Vinícius, acho que vamos conversar sobre mulheres, poesia e música. Sobre mulheres porque corre a fama de que você é m grande amante. Sobre poesia porque você é um dos nossos grandes poetas. Sobre música porque você é o nosso menestrel. Vinicius, você amou realmente alguém na vida? Telefonei para uma das mulheres que você casou, e ela disse que você ama tudo, a tudo você se dá inteiro: a crianças, a mulheres, a amizades. Então me veio a idéia de que você ama o amor, e nele inclui as mulheres.
Que eu amo o amor é verdade. Mas por esse amor eu compreendo a soma de tosos ao amores, ou seja, o amor de homem para mulher, de mulher para homem, o amor de mulher por mulher, o amor de homem para homem e o amor de ser humano pela comunidade de seus semelhantes. Eu amo esse amor, mas isso não quer dizer que eu não tenha amado as mulheres que tive. Tenho a impressão que, àquela que amei realmente, me dei todo.

- Acredito, Vinícius. Acredito mesmo. Embora eu também acredite que quando um homem e uma mulher se encontram num amor verdadeiro, a união é sempre renovada, pouco importam as brigas e os desentendimentos: duas pessoas nunca são permanentemente iguais e isso pode criar no mesmo par novos amores.
É claro, mas eu ainda acho que o amor que constrói para a eternidade é o amor paixão, o mais precário, o mais perigoso, certamente o mais doloroso. Esse amor é o único que tem a dimensão do infinito.

- Você já amou desse modo?
Eu só tenho amado desse modo.

- Mas você acaba um caso porque encontra outra mulher, ou porque se cansa da primeira?
Na minha vida tem sido como se uma mulher me depositasse nos braços de outra. Isso talvez porque esse amor paixão pela sua própria intensidade não tem condições de sobreviver. Isso acho que está expresso com felicidade no dístico do meu soneto Fidelidade: que não seja imortal posto que é chama / mas que seja infinito enquanto dure”.

- Você sabe que você é um ídolo para a juventude? Será que agora que apareceu o Chico, as mocinhas trocaram de ídolo, as mocinhas e os mocinhos?
Acho que é diferente. A juventude procura em mim o pai amigo, que viveu e que tem uma experiência a transmitir. Chico não. É ídolo mesmo, trata-se de idolatria.

- Você suporta ser ídolo? Eu não suportaria.
Às vezes fico mal humorado. Mas uma dessas moças explicou: é que você, Vinícius, vive nas estantes de nossos livros, nas canções que todo mundo canta, na televisão. Você vive conosco, em nossa casa.

- Qual é a artista de cinema que você amaria?
Marilyn Monroe. Foi um dos seres mais lindos que já nasceram. Se só existisse ela, já justificaria a existência dos Estados Unidos. Eu casaria com e certamente não daria certo porque é difícil amar uma mulher tão célebre. Só sou ciumento fisicamente, é o ciúme de bicho, não tem outro.

- Fale-me de sua música.
Não falo de mim como músico, mas como poeta. Não separo a poesia que está nos livros da que está nas canções.

- Vinícius, você já se sentiu sozinho na vida? Já sentiu algum desamparo?
Acho que sou um homem bastante sozinho. Ou pelo menos eu tenho um sentimento muito agudo de solidão.

- Isso explicaria o fato de você amar tanto, Vinícius.
O fato de querer me comunicar tanto.

- Você sabe que admiro muito seus poemas, e, mais do que gostar, eu os amo. O que é a poesia para você?
Não sei, eu nunca escrevo poemas abstratos, talvez seja o modo de tornar a realidade mágica ao meus próprios olhos. De envolvê-la com esse tecido que dá uma dimensão mais profundo e consequentemente mais bela.

- Reflita um pouco e me diga qual é a coisa mais importante do mundo, Vinícius.
Para mim é a mulher, certamente.

- Você quer falar sobre sua música? Estou escutando.
Dizem, na minha família, que eu cantei antes de falar. E havia uma cançãozinha que eu repetia e que tinha um leve tema de sons. Fui criado no mundo da música, minha mãe e minha avó tocavam piano, eu me lembro de como me machucavam aquelas valsas antigas. Meu pai também tocava violão, cresci ouvindo música. Depois a poesia fez o resto.
Fizemos um pausa. Ele continuou:
Tenho tanta ternura pela sua mão queimada...
(Emocionei-me e entendi que este homem envolve uma mulher de carinho). Vinícius disse, tomando um gole de uísque:
É curioso, a alegria não é um sentimento nem uma atmosfera de vida nada criativa. Eu só sei criar na dor e na tristeza, nem mesmo as coisas que resultam sejam alegres. Não me considero uma pessoa negativa, quer dizer, eu não deprimo o ser humano. É por isso que acho que estou vivendo num movimento de equilíbrio infecundo do qual estou tentando me libertar. O paradigma máximo para mim seria: a calma no sei da paixão. Mas realmente não sei se é um ideal humanamente atingível.

- Como e que você se deu dentro da vida diplomática, você que é o antiformal por excelência?
Acontece que detesto tudo o que oprime o homem, inclusive a gravata. Ora, é notório que o diplomata é um homem que usa gravata. Dentro da diplomacia fiz bons amigos até hoje. Depois houve outro fato: as raízes e o sangue falaram mais alto. Acho muito difícil um homem que não vota ao seu quintal, para chegar ou pelo menos aproximar-se do conhecimento de si mesmo.

- Como pessoa, Vinícius, o que é que desejaria alcançar?
Eu desejaria alcançar outra coisa. Isso de calma no seio da paixão. Mas desejaria alcançar uma tal capacidade de amar que me pudesse fazer útil aos meus semelhantes.

- Quero lhe pedir uma favor: faça um poema agora mesmo. Tenho certeza de que não será banal. Se você quiser, Menestrel, fale o seu poema.
Meu poema é em duas linhas: você escreve uma palavra em cima e a outra embaixo porque é um verso. É assim:
                                             
Clarice
                                              Lispector
Acho lido o teu nome, Clarice.

- Você poderia dizer quais as maiores emoções que já teve. Eu, por exemplo, tive tantas e tantas, boas e péssimas, que não ousaria falar delas.
Minhas maiores emoções foram ligadas ao amor. O nascimento de filhos, as primeiras posses e os últimos adeuses. Mesmo tendo duas experiências de quase morte – desastre de avião e de carro – mesmo essa experiência de quase morte nem de longe se aproximou dessas emoções de que te falei.

- Você se sente feliz? Essa, Vinícius, é uma pergunta idiota, mas que eu gostaria que você respondesse.
Se a felicidade existe, eu só sou feliz enquanto me queimo e quando a pessoa se queima não é feliz. A própria felicidade é dolorosa.


Meditamos um pouco, conversamos mais ainda, Vinícius saiu. Então telefonei para uma das esposas de Vinícius.
- Como é que você se sente casada com Vinícius?
Ela respondeu com aquela voz que é um murmúrio de pássaro:
“Muito bem. Ele me dá muito. E mais importante do que isso, ele ajuda a viver, a conhecer a vida, a gostar das pessoas”.
Depois conversei com uma mocinha inteligente:
A música de Vinícius", disse ela, “fala muito de amor e a gente se identifica sempre com ela”

- Você teria um “caso” com ele?
Não porque apesar de achar o Vinícius amorável, eu amo um outro homem. E Vinícius me revela ainda mais que eu amo aquele homem. A música dele faz a gente gostar ainda mais do amor. E de “repente”, não mais que de repente”, ele se transforma em outro: e é o nosso poetinha como o chamamos. 

Eis pois alguns segredos de uma figura humana grande e que vive a todo risco. Porque há grandeza em Vinícius de Moraes.

Texto de: Juliana Masello
Postado por: Flávia Pereira 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Entrevista Postuma


"Trinta e seis anos depois de sua morte (morreu dia 4 de maio de 1937), procurei Noel Rosa para uma entrevista.
- Eu não tenho nada a dizer. O que você quiser saber está na minha obra – disse ele modestamente.
O resultado foi esta entrevista. Se não estiver boa, não ponham a culpa exclusivamente no repórter. Afinal, o entrevistado não dá entrevista há, pelo menos, 36 anos”. (Sérgio Cabral)
 
Abaixo, você confere alguns fragmentos dessa divertida e poética entrevista postuma.
 
 


O PASQUIM – Você um cara cheio de problemas de saúde, não saía dos bares, bebendo a noite inteira, batendo papo, etc.

NOEL ROSA – Saber sofrer é uma arte. E pondo a modéstia de parte, eu sei sofrer.

O PASQUIM – Então você sofreu pra burro.

NOEL ROSA – Mesmo assim não cansei de viver.

O PASQUIM – Mas as mulheres de vez em quando, te faziam sofrer mais ainda.

NOEL ROSA – Quem sofreu mais do que eu não nasceu.

O PASQUIM – Você sofreu várias decepções mas continuou amando.

NOEL ROSA – Nunca se deve jurar não mais amar a ninguém.

O PASQUIM – Quer dizer que você não tem nada contra o amor.

NOEL ROSA – Quem fala mal do amor não sabe a vida gozar.

O PASQUIM – Mas você, de vez em quando, fala mal da mulher.

NOEL ROSA – A mulher mente brincando e, às vezes, brinca mentindo.

O PASQUIM – Explica isso melhor.

NOEL ROSA – Quando ri está chorando e quando chora está sorrindo.

O PASQUIM – Você sabe se a Betty Friedman o conhecesse teria uma imensa bronca de você que é contra a mulher trabalhando.

NOEL ROSA – Todo cargo masculino, seja grande ou pequenino, hoje em dia é pra mulher.

O PASQUIM – Mas o que é que atrapalha isso, Noel?

NOEL ROSA – E por causa dos palhaços, ela esquece que tem braços. Nem cozinhar ela quer.

O PASQUIM – Mas os direitos são iguais.

NOEL ROSA – Os direitos são iguais, mas até nos tribunais a mulher faz o que quer.

O PASQUIM – Então não são tão iguais assim.

NOEL ROSA – Pois o homem já nasceu dando a costela à mulher.

O PASQUIM – Você gosta mesmo é de samba, não é?

NOEL ROSA – O mundo é um samba em que eu danço sem nunca sair do meu trilho.
O PASQUIM – Você acha mesmo o samba um troço importante?

NOEL ROSA – Exprime dois terços do Rio de Janeiro.


O PASQUIM – Pelo que vejo, não se pode falar mal do samba perto de você.

NOEL ROSA – O samba é a corda e eu sou a caçamba.

O PASQUIM – Você não tem medo de ninguém?

NOEL ROSA – Sou independente como se vê.

O PASQUIM – Independente? Está rico?

NOEL ROSA – Não consigo ter nem pra gastar.
O PASQUIM – Ou seja: está durão.
 
NOEL ROSA – Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar ficando nu. Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou.
 

O PASQUIM – Você não vai porque está com medo dos malandros do samba.

NOEL ROSA – Não tenho medo de bamba. Na roda do samba, eu sou bacharel.

O PASQUIM – Como é que é esse negócio de bacharel?

NOEL ROSA – Quando me formei no samba recebi uma medalha.

O PASQUIM – Você vive em tudo que é samba, não é?

NOEL ROSA – A polícia em todo canto proibiu a batucada. Eu vou pra Vila onde a polícia é camarada.

O PASQUIM – O samba em Vila Isabel é de noite ou de dia?

NOEL ROSA – O sol da Vila é triste. Samba não assiste porque a gente implora: “Sol, pelo amor de Deus, não venha agora que as morenas vão logo embora”.

O PASQUIM – Mas tem mais samba em outros lugares, Noel.

NOEL ROSA – Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira, Oswaldo Cruz e Matriz.

O PASQUIM – E a Vila, como é que fica nisso?

NOEL ROSA – A Vila não quer abafar ninguém. Só quer mostrar que faz samba também.

O PASQUIM – Conforme você disse, o samba exprime dois terços do Rio de Janeiro.

NOEL ROSA – Mas tenho que dizer: modéstia à parte, meus senhores, eu sou da Vila.

O PASQUIM – Você sabe que o Josué Montello...

NOEL ROSA – Escreve sal com c cedilha.

O PASQUIM – Pois é. Ele agora é da Academia Brasileira de Letras, junto com a Pedro Calmon.

NOEL ROSA – Desta vez, juntou-se a fome com a vontade de comer.

O PASQUIM – Mas eles tem prestígio por aí, numa certa roda.

NOEL ROSA – Vassouras nos salões da sociedade.

O PASQUIM – Você não freqüenta essa roda, não é?

NOEL ROSA – Você pode crer que a palmeira do Mangue não vive em Copacabana.

O PASQUIM – Vamos falar mal das pessoas. E o Roberto Campos, hem?

NOEL ROSA – Que é também brasileiro. E em três lotes vendeu o Brasil inteiro.

O PASQUIM – Sabe que andaram pixando você sob o pretexto de que você é bom de letra mas não de música?

NOEL ROSA – Sendo as notas sete apenas, mais eu não posso inventar.

O PASQUIM – Bem, Noel, vamos acabar a entrevista. Adeus.

NOEL ROSA – Adeus é pra quem deixa a vida. Três palavras vou gritar por despedida: até amanhã, até já, até logo.




Texto de Luiz Eduardo Guimaraes
Postado por Ana Carolina Lira Eloy

sábado, 11 de junho de 2011

Luciano Huck para a revista Alfa

Em entrevista para a revista ALFA, o apresentador Luciano Huck disse que poderia ser
presidente da republica, o que deu uma certa polemica. Outra declaração polemica foi que
aos 3 anos seu filho mais novo, Benício, teria visto a playboy, que na capa estava a atriz
Cléo Pires, e teria dito que gostava das fotos.

O salvador da pátria?

Depois de fazer quase tudo, Luciano Huck se deu uma missão: combater a pobreza
no Brasil. O que faltará no currículo do garoto-propaganda, ongueiro, tuiteiro, ator e
dublador para atingir seu objetivo?

A esta altura, deveríamos estar cansados de Luciano Huck. Ele aparece em todo lugar. O
Caldeirão do Huck, há dez anos ocupando boa parte das tardes de sábado, é campeão de
audiência. Sua imagem se associa a dezenas, talvez centenas, de produtos, de cremes para
cabelo a faculdades particulares, de cartões de crédito a motocicletas. No cinema, ele dublou
o mocinho da animação Enrolados, da Disney. Fez uma participação especial no seriado As
Cariocas, ao lado da mulher, Angélica. Um jantar em sua casa parece obrigação diplomática
para as celebridades estrangeiras, o que aumenta sua exposição. Luciano teria sido escalado
como mestre de cerimônias do discurso de Barack Obama na Cinelândia. Na última hora,
o protocolo mudou de endereço para dentro do Theatro Municipal — o que não o impediu
de bater um papo e tirar uma fotinho com o presidente americano. Tem helicóptero, alguns
carros importados, está construindo uma mansão de 16 quartos com heliporto no Rio de
Janeiro. Vive um casamento feliz, com dois fillhos perfeitos, Joaquim e Benício. O cantor
Roberto Carlos retorna seus telefonemas (“Essa é uma das conquistas das quais mais me
orgulho”, ele diz).

Goste ou não de Luciano Huck, ele é uma presença obsessiva na vida nacional — e
vai crescer ainda mais. Seus amigos mais próximos já se perguntam por que não o colocar
de vez num cargo público. Nos comentários do retrato com Obama, era comum encontrar
fãs dizendo: “Queria que a legenda fosse: ‘O encontro entre os presidentes do Brasil e dos
Estados Unidos’ ”. Luciano jamais falou publicamente sobre tal possibilidade. Mas, não
vamos nos surpreender se um dia ele se candidatar.

“Sou daqueles que sabem que estamos lidando com o próximo Ronald Reagan”, diz o
empresário carioca Alexandre Accioly, sócio e amigo íntimo. “Gosto de dizer que o Luciano é
um político sem mandato.” Em casa, Luciano já tocou no assunto. “Ele brinca com isso”, diz
Angélica. “Hoje, aos 39 anos, acho que estou cumprindo esse papel na televisão”, diz Luciano,
depois de pensar um pouco. Mas seria presidente do Brasil? “Agora, não. Daqui a dez anos,
talvez eu tenha mudado a resposta.” Bons contatos na política não faltam. José Serra é amigo
da família e o mineiro Aécio Neves se mantém ainda mais próximo.

Seu pai o advogado Hermes Marcelo Huck, lembra-se do filho Luciano correndo atrás de
mulheres desde muito jovem. “Dos 20 aos 30, é permitida a galinhagem saudável. Acho que
daí você evita de virar um velho bobão quando chegar aos 50”, diz ele. Luciano completa “

Meu filho menor é incrível também. Fui levá-lo ai banheiro e ele pegou a PLAYBOY da Cleo
Pires. Começou a a olhar para as fotos e dizer: ‘essa sim, essa não, essa sim, essa não’. Eu vi
que ele só gostava quando aparecia peito. Eu perguntei: ‘ Mas Benício, você gosta do quê? De
peito?’ ‘Gosto de tudo’, ele respondeu. Ele tem 3 anos! Talvez tenha puxado ao pai.”


Texto de: Danilo Sampaio
Postado por: Flávia Pereira


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ney Matogrosso para a revista Quem

Exibindo seu lado feminino em coreografias erotizadas como uma forma de transgressão à ditadura militar dos anos 70, o cantor Ney Matogrosso surgiu no cenário musical brasileiro influenciando toda uma geração. Mas quem abre a porta de seu apartamento, uma cobertura no Leblon, Rio de Janeiro, é um Ney sério, de voz baixa, de calça e jaqueta jeans e sapato social. A ousadia dos palcos contrasta com a sobriedade do lugar em que mora. A meia-luz da sala é para não perturbar os dois gatos que dormem no sofá.

 Aos 67 anos, o cantor de voz aguda termina 2008 em turnê com o show do CD Inclassificáveis, um dos mais elogiados pela crítica. Ele também retoma sua carreira cinematográfica, que teve centelhas no final da década de 80, quando fez Sonho de Valsa e o curta-metragem Caramujo-flor e, em 2005, participou de Diário de Um Mundo Novo. Animado com a repercussão do recém-lançado Depois de Tudo, curta de Rafael Saar que narra o encontro de um casal homossexual da terceira idade, ele se prepara para mais. A convite da diretora Helena Ignez, Ney protagonizará, no ano que vem, Luz nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha, continuação de O Bandido da Luz Vermelha, de 1968. Também em 2009, será lançado um documentário sobre sua vida.

 No bate-papo a seguir, Ney fala sobre os novos projetos, sua personalidade excêntrica e o amor que sentiu por Cazuza.


Quem: Houve unanimidade nos elogios a Inclassificáveis. A que se deve isso?Ney:Ninguém achava que eu ainda conseguisse me mexer. É uma necessidade minha essa mexida, para me manter interessado pelo que faço. Meu público se renova, em parte, por isso.


Por que você insiste na sensualidade das suas músicas? A sensualidade é um traço da minha personalidade. Não é minha preocupação. Não tenho controle. Não ensaio na sala para fazer igual no show. Quando subo ao palco, se manifesta em mim. Eu não freio, libero.


Não tem medo de parecer vulgar?  Nunca. Caminho numa lâmina e busco o equilíbrio. Tudo meu é mais elástico que na média das pessoas.


Na letra de “Lema”, você canta “Jamais vou dar fim ao menino em mim”. Como cumpre essa promessa?
 Envelhecer é um estado mental, mais até do que a coisa física. Se fosse me submeter ao tempo, não faria o que faço. Fisicamente acharia que não dou conta. Acharia ainda que isso não fica bem para um homem da minha idade. Não estou nem um pouco preocupado com isso. Se me sinto apto, faço!


Você se vê fazendo o mesmo tipo de show daqui a alguns anos?  Sei que vai ter um momento que o tempo será determinante, mas, enquanto não for, não economizarei. Não fico mais cansado do que ficava há 30 anos. Não me submeto a parâmetros. Um homem de 67 anos não faz o que faço. Minha vida não é determinada pelo tempo cronológico.


 Em outra música do CD, “Leve”, você canta “Ser feliz ou não, questão de talento”. Você tem talento para ser feliz?  Questionei muito essa frase quando a música chegou a mim. Talento para ser feliz é talento para perceber que se pode ser feliz. Felicidade não é uma coisa constante. Vivo para o agora. Não tenho nostalgia de nada. Tenho lembranças de bons momentos, mas não vivo estacionado nas alegrias nem nas tristezas.

 Por que voltar a fazer cinema?  É uma coisa que pretendia há muito tempo. Não cheguei a me satisfazer como ator. Sabia que voltaria. Aí, surgiu o convite para a continuação de O Bandido da Luz Vermelha. Aceitei, mesmo sabendo que era arriscado, pelo personagem ser tão emblemático.


Você fez Depois de Tudo, em que vive um amor gay na terceira idade. Por que aceitou o papel?  Quando o diretor veio aqui em casa e me deu o roteiro para ler, eu disse: “Isso é uma proposta, né? Você está querendo que eu faça seu filme”. Perguntei se já tinham feito algo parecido. Ele disse que não. Falei: “Então, quero fazer, porque é o que me interessa: fazer o que ninguém fez”.


Em breve você estará em um documentário. Não tem medo de ter sua vida revisitada? Imagina! Quero que vejam as épocas negras do Brasil, intercaladas a imagens de shows, em plena ditadura, e eu praticamente nu em cena. É importante que as pessoas tenham noção do que significou a minha vida artística num país totalmente opressor, numa sociedade careta.


Também será contada sua relação amorosa com Cazuza?  Vai, porque isso não me pertence mais. Mas não me interessa tornar pública minha vida pessoal. Isso é meu, em particular, vai morrer comigo. Não estou falando de relações com homens somente, mas com mulheres também. Não quero falar de pessoas que amei. Acho vazio quem vive de falar disso.


 Você já disse que, com Cazuza, viu que “era possível um relacionamento além do sexo”. Ele foi seu grande amor?  Falo isso porque, até então, eu só me relacionava sexualmente, tanto com homem quanto com mulher. Se quisessem algo a mais comigo, eu cortava. E eu tinha medo, me sentia incapaz de viver um relacionamento. Essa mudança faz parte de um processo individual de amadurecimento. Cazuza foi um dos três amores da minha vida.


Três amores não é pouco?  Mas amei intensamente.


 E quem seriam os outros dois?  Não citaria os outros nomes. Não sei nem como isso do Cazuza escapou. Mas não fui eu que tornei esse amor público.


O que você achou da declaração da Marina Lima, admitindo que teve relações sexuais com Gal Costa?  Mas todo mundo sabia disso! A história do processo procede? (Foi divulgado que Gal estaria pensando em processar Marina.) Tomara que não, porque é ridículo. O que me choca é que isso não era um segredo, todo mundo que conhece as duas sabe. Não acredito que a Marina tenha falado isso para gerar essa reação toda, ela falou por naturalidade.


Você já declarou que usa maconha como terapia. Como assim?
 Não posso dizer que uso maconha. Já fui maconheiro, de acordar e fumar em jejum. Não posso falar que sou maconheiro, hoje. Mas, se tiver algum problema, faço uso dela de novo. Ela é extremamente útil. Já tive contato com todos os tipos de drogas disponibilizadas por aí. Nunca me viciei em nada. Meu único vício é o Frontal, um remédio que tomo toda noite para conseguir dormir. Me angustia ter que, toda noite, deitar e ser criativo. Faço dois shows na minha cabeça tentando dormir. Acordo às 9h e meia, me levanto às 10h para fazer ginástica. Sou um cara do dia, mas porque uso remédio.



Fonte: Blog das Estrelas

Texto de: Paula Porto e Raphael Silva
Postado por: Flávia Pereira

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Frente a frente com Bin Laden

Robert Fisk, é jornalista e considerado um dos maiores especialistas em conflitos no Oriente Médio e ficou conhecido por ser um dos únicos jornalistas ocidentais a entrevistar pessoalmente o terrorista mais famoso de todos os tempos: Osama Bin Landen.

Após a morte de Bin Landen, Fisk foi procurado para dar sua opinião sobre o futuro da rede terrorista Al Quaeda e principalmente, para relatar como foi sua experiência histórica de conversar com uma figura tão controversa e polêmica.

Em entrevistas recentes sobre o assunto, Fisk afirmou que a morte de Bin Laden não impediria a Al Quaeda de continuar a atuar. Em 2007, para a revista História Viva ele explica a relação do terrorismo contemporâneo e como funciona a rede terrorista mais famosa do mundo.

Do modo como você coloca, o terror é um assunto de Estado, então?
Eu não uso a palavra “terrorismo” nos meus artigos ou nos meus livros, a não ser entre aspas. Eu não a uso porque é uma palavra totalmente desacreditada, ela já não tem mais nenhum significado. É um dispositivo utilizado para assustar as pessoas, para fazer com que elas acreditem que o Islã é nosso inimigo ou para impor novas leis que permitem prender uma pessoa por 90 dias sem direito a advogado. Esta é a primeira vez que uma guerra foi declarada a um substantivo abstrato – a “Guerra contra o Terror”. O que é o “terror”? Pode ser qualquer coisa. Essa idéia toda de “terror”, do meu ponto de vista, é uma armadilha. Usar a palavra em um contexto sério é uma armadilha. Se eu vejo uma revista ou um jornal com a palavra “terror” na capa simplesmente não compro, é lixo.

O que de fato é a Al-Qaeda? Quais são suas raízes históricas?
Para entender a Al-Qaeda é preciso ler história. Um dos problemas é que nem os governos e nem os jornalistas escutam o que Osama bin Laden e a Al-Qaeda dizem nas gravações que divulgam. Bin Laden fala da Declaração de Balfour (um documento secreto do governo britânico de 1917 que definia o plano de divisão dos territórios do Império Otomano ao final da Primeira Guerra Mundial); do Acordo Sykes-Picot de 1916, no qual França e Inglaterra dividiram o Oriente Médio; e fala em especial do Tratado de Sèvres, que acabaria com o Império Otomano, o último califado islâmico, em 1922. Ele sempre se refere aos fundamentos históricos do colapso do islamismo árabe, da perda do último califado e das conseqüências da Primeira Guerra Mundial. O que Bin Laden fez, originalmente, foi expor todas estas humilhações históricas. Muitos dos envolvidos com a Al-Qaeda são pessoas com um alto grau de instrução acadêmica, que entendem de história árabe. Acrescente a isso a obsessão pessoal de Bin Laden com a chegada das tropas americanas ao golfo Pérsico em 1990, quando o rei Fahd preferiu a ajuda dos americanos, e não dos mujahedins que lutaram no Afeganistão, para enfrentar Saddam Hussein. Para Bin Laden, a chegada dos americanos às duas cidades sagradas do mundo árabe – Meca e Medina – e a crescente presença das forças ocidentais é uma repetição de 1099 (ano da chegada dos cavaleiros da Primeira Cruzada a Jerusalém).
Como a Al-Qaeda funciona? Como foi o processo que levou à sua formação?
A Al-Qaeda, é um fenômeno único. Não há registro de filiação, não existe uma associação constituída, não há um financiamento regular. No começo, Bin Laden surgiu como uma inspiração. Os líderes árabes não diziam aquilo que o povo pensava. Quem fazia isso era Saddam, e é por isso que as pessoas gostavam dele. De repente aparece Bin Laden, um árabe falando de uma caverna, como o profeta Muhammad, expressando o que as pessoas pensavam. Inicialmente, a estrutura que ele criou funcionava como uma espécie de ONG: da mesma forma que uma organização quando quer construir uma rede de saneamento em uma vila remota na África se dirige a um governo para pedir recursos, alguns homens procuravam Bin Laden e associados pedindo, por exemplo, 6 mil dólares e dois especialistas em explosivos para atacar um navio no porto de Aden. Bin Laden dizia sim ou não. É como uma espécie de ONG, mas você não vai a um “quartel-general da Al-Qaeda”, como o Washington Post e a Fox News sugeriam. Mas o ponto é que hoje Bin Laden é totalmente irrelevante. Não importa o que ele diz. Ele pode morrer amanhã, tanto faz. O único meio de desativar a Al-Qaeda é tentar levar justiça para o Oriente Médio, mas nós não queremos isso. Queremos impor nossa posição na região. Para isso teremos que continuar lutando contra a Al-Qaeda, e alguns de nossos líderes vêem essa perspectiva com bons olhos! 

Sobre Bin Laden, Fisk falou em matéria exibida pelo Fantástico. Em vídeo, ele conta que os encontros eram sempre em esconderijos e que no começo, os encontros eram tranquilos (na medida do possível) e que Bin Laden era um homem sereno e direto. Porém, no seu último encontro com o terrorista, Fisk sentiu medo em um determinado momento: quando o líder da Al Qaeda tentou converte-lo ao islamismo.
“Ele sempre me cumprimentava com as duas mãos. Eu nunca me senti em perigo"

Sobre seu primeiro encontro, em 1993 no Sudão: " Ele ficou pensativo. Perguntou sobre o que eu queria falar e eu disse: ‘não é sobre "terror, terror, terror". Eu quero que você me diga como foi lutar no Afeganistão contra os russos". Fisk revela que comentar sobre a época em que Bin Laden enfrentou a invasão Soviética no Afeganistão garantiu a criação de uma espécie de "laço" entre o entrevistador e o entrevistado.


                                           Vídeo da Entrevista de Robert Fisk





Texto e Postagem de Ana Carolina Lira Eloy


 

sábado, 4 de junho de 2011

Entrevisa do Cazuza para Marília Gabriela



Cazuza em uma entrevista para Marília Gabriela em 1988, dois anos antes de vir a falecer, fala de sexo, amor, música e personalidade.
Na entrevista, com um papo super aberto sobre todos os temas, Cazuza pela primeira vez assume em rede nacional que contraiu o vírus da AIDS. O cantor fala também que se arrependeu de ter participado de muitas campanhas contra aids, por falar que a aids mata. Na opinião de Cazuza a aids não mata e falar isso para os aidéticos era uma maneira de matá-los. Cazuza acreditava que ia viver até os 70 anos de idade, ele buscava pela vida e não pela morte e dizia que se morresse naquele momento, pelo menos morreria amando.
"Há algum tempo eu deixei de esconder a aids. Acho que graças à Marília Gabriela, que me deu um toque. Depois que ela me falou que não fazia sentido o fato de eu negar o vírus com minha posição liberal como artista. Aí eu pensei, vi que ela tinha razão e achei melhor parar de esconder".
Agenor de Miranga Araújo Neto - Cazuza
O cantor e compositor nasceu no dia 4 de abril de 1958, no Rio de Janeiro, começou a fazer sucesso no início da década de 80, quando fazia parte do grupo Barão Vermelho. Depois de quatro anos com o grupo, o cantor começou a seguir carreira solo e seu disco de estréia foi Exagerado.
Cazuza morreu no dia 7 de julho de 1990, aos 32 anos, de complicações decorrentes da Aids.


Texto de Camila Laudano
Postado por Flávia Pereira

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Primeira entrevista exclusiva do Presidente eleito, Luís Inácio Lula da Silva

Luís Inácio Lula da Silva visita o Jornal Nacional no seu primeiro dia como presidente do Brasil e é entrevistado por William Bonner. Primeira entrevista oficial como presidente, no dia vintee oito de ourubro de dois mil e dois.


Bonner começa lhe perguntando se a emoção de hoje é muito forte ou não,
O presidente responde dizendo que muito, pois ainda não acordou do processo eleitoral, reforça dizendo que foi um processo muito intenso, uma campanha muito difícil, e que ainda vai acordar para o que vai acontecer no Brasil a partir de hoje.
Bonner o corta, pedindo para enquanto ele acorda, pede atenção dele e de todos os brasileiros para reverem o momento histórico de ontem.

 Após a passagem da posse, Willian pede por favor para que o Presidente mande a sua mensagem aos milhões de brasileiros eleitores que os acompanham.

 “Gostaria de agradecer do fundo do meu coração ao povo Brasileiro, o que vocês fizeram ontem foi possivelmente a mais importante lição de democracia que o nosso pais já viveu. Agora está nas minhas costas, na minha consciência a responsabilidade de não trair vocês, de não enganar vocês. Eu queria aproveitar Bonner, no Jornal Nacional, pra dizer a cada mulher, cada homem, cada criança desse pais que eu vou trabalhar vinte e quatro horas por dia da forma mais incansável que um homem já trabalhou nesse pais, pra ver se eu consigo realizar todas as coisas que nós prometemos à vocês durante a eleição. Boa noite.”
-Luís Inácio Lula da Silva.


Palavras do presidente aos vencer a maior eleição da história do Brasil.
A entrevista repercutiu muito bem, agradando a todos os seus eleitores.

Assista a entrevista clicando aqui.

Texto: Carolina Nylander
Publicado por Hosana Daher